quinta-feira, 3 de agosto de 2017

02/08/2017 - Dois pesos, duas medidas



Todos são iguais perante a lei. É o que diz nossa constituição. Contudo, o correto deveria ser "alguns são privilegiados perante a lei". Qual é o peso das pedaladas fiscais diante de uma acusação de corrupção passiva? O que é um decreto de crédito suplementar em comparação a um mala de R$500 mil? Muitos reclamam do resultado da votação do dia 02 de agosto, mas não põe esse resultado lado a lado com o que tirou a antiga ocupante do cargo para colocar o atual, que foi salvo.

O que justifica o resultado? Por que nossos representantes timidamente disseram "sim" e saíram de foco quando da outra vez disseram a mesma coisa em meio a discursos inflamados contra a corrupção e a favor da honestidade na política? Por que as pessoas comuns, meros mortais que nem sequer puderam acompanhar ao vivo a votação, hoje murmuram apenas quando outrora batiam panelas?

Essa votação é uma amostra de que prevaleceu os interesses do poder econômico. Esse queria a antiga presidente fora e tirou através de propaganda massiva, controle da mídia, boicote às medidas fiscais, manipulação de seus fantoches nas câmaras e aproveitando da força de garotos propagandas como aqueles de um grupo que se diz apartidário mas recebe verba de partidos políticos, ganham cargos em prefeituras e se filiam a partidos para concorrer nas eleições.

O mesmo poder econômico que trocou o governo, agora agiu para manter a troca. A saída do atual presidente poderia resultar na obstrução das tão sonhadas reformas, que vendem sonhos para os pobres mas que no final tornarão o poder econômico ainda mais poderoso. É desse poder que vem as verbas para campanhas políticas, o dinheiro das propinas e a manutenção das regalias. 

Em nome de uma suposta retomada da estabilidade econômica, engole-se o que é ilícito. Em nome de uma falsa retomada do emprego ignora-se a corrupção, o cabide de empregos, o "toma lá da cá". Fomos feitos de palhaços, usados como idiotas. Os que conclamaram os brasileiros às ruas para mudar, são os que hoje riem às nossas costas. Falta de aviso? Talvez não.