quarta-feira, 18 de maio de 2016

Viva à greve!



Dia 18 de maio de 2016. Data em que os motoristas de ônibus paralisaram por algumas horas suas atividades reivindicando aumento salarial. Como em toda negociação salarial o trabalhador pede o justo e o empresário se recusa a reduzir parte de sua gorda margem de lucro. Como membros da classe trabalhadora, todos deveríamos reconhecer e apoiar as greves, não só dos motoristas de ônibus, mas dos professores, dos metroviários, dos garis, dos médicos, dos policiais, enfim, de todos aqueles cujos servições são essenciais para o funcionamento da sociedade.

Porém, quando ocorre uma greve, a classe trabalhadora influenciada pela mídia bate forte naqueles que lutam por direitos e dignidade. Nessa mesma data, o SPTV - 2° Edição, telejornal local da Rede Globo para o Estado de São Paulo exibiu uma matéria que focou somente na revolta dos "únicos prejudicados", do sofrido trabalhador que só queria voltar pra casa, mas não pode por causa "daqueles que não têm o que fazer" e "só pensam em seus próprios interesses". Enfim, a reportagem só ouviu os que estavam incomodados com a greve, mas não ouviu aqueles que faziam greve. Em nenhum momento se preocuparam em saber a fundo as reivindicações como se os grevistas só servissem para prejudicar, como se eles não tivessem famílias, contas para pagar e sonhos para almejar.

Ao reagirmos negativamente à uma greve, nós - membros da classe trabalhadora - estamos cumprindo o papel que o grande capital nos propôs: o de brigar entre nós para nos tornarmos mais fracos e ser mais facilmente manipulados. Alguns podem perguntar: mas o que eu tenho a ver com a greve dos motoristas de ônibus? Eu respondo: Tudo! Como integrante da mesma classe social, devemos reconhecer as nossa luta como uma luta unificada. Hoje são eles que estão em greve, amanhã pode a minha categoria e, nessa hora, eu vou querer apoio.

Quando critico uma greve, manifestação ou bloqueio de ruas por não me deixarem chegar ao trabalho, não estou reivindicando o meu direito e de ir e vir. Estou reivindicando o meu direito de ser explorado. É como se eu disse aos grevistas "vocês podem voltar ao trabalho, por favor? Estou atrasado para minha exploração diária. O coitado do meu patrão está tendo prejuízos."

Tudo isso demonstra o quanto nos enfraquecemos como movimento trabalhador ao sermos desarticulados pela opinião pública patrocinada pelo grande capital. Criticar uma greve sob a justificativa de defender os prejudicados não passa de um pretexto para proteger os grandes empresários - enriquecidos com a atividade do transporte - daquilo que eles temem: a união da classe trabalhadora. A mídia não está preocupada com você, caro trabalhador. Está a serviço daqueles que a pagam. Se a greve virou notícia, é porque prejudicou os empresários que tiveram suas atividades paradas por algumas horas.

A consciência de classe, atributo que a grande elite faz de tudo para que não alcancemos, é a única coisa capaz de nos fazer forte e invencíveis. No dia em que nos entendermos como lutadores de uma mesma causa, nossas reivindicações serão prontamente atendidas. Ditas essas palavras, concluo: VIVA Á GREVE! Sempre que uma categoria insatisfeito contra o patrão irredutível em abrir de parte de sua gorda riqueza para dignidade de muitos, eu apoiarei. Um dia de trabalho ou de dificuldades não é nada perto de uma causa justa.