segunda-feira, 18 de abril de 2016

Impeachment: O fim justifica os meios?



Na noite de domingo, dia 17 de abril de 2016, vivemos um momento histórico. A Câmara dos Deputados aprovou por mais de sessenta votos a admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente. Esse momento seria glorioso se não fosse por uma pergunta que faço ao leitor agora: o fim justifica os meios? Qual é o limite na tentativa de alcançar o objetivo almejado? Vale passar por cima de tudo para se conseguir o que quer, ainda que a causa seja "justa"? Vale a pena comemorar a vitória do seu time com a ajuda do árbitro?

Me arrisco a dizer que as comemorações com o resultados são bastante equivocadas e demonstram o claro sinal da ignorância por parte da população que soltou fogos, gritou, chorou, se abraçou e viu a esperança de um mundo melhor sem a corrupção e com o retorno do crescimento econômico. Santa Ingenuidade! Demonstrarei em alguns pontos o grave equívoco que comete ao apoiar o processo que foi votado na Câmara na noite de domingo.

Primeiro ponto: Devo apoiar um processo que deveria limpar o país da corrupção presidido por um corrupto? É notório que o presidente da casa tem culpa no cartório. Aparece em diversas listas de desvio e sonegações, foi citado como receptor de propinas e tem um conduta duvidosa ao dirigir a Câmara. É sério mesmo que vale a pena apoiar esse cidadão só para "escorraçar o PT do poder"? Eu acho que deixar nas mãos de uma bando de corruptos a tarefa de livrar o país da corrupção é no mínimo contraditório.

Segundo ponto: Uma boa parcela dos deputados que apoiaram esse processo estão sendo processados por desvios. Levanta-se a hipótese de que estariam sendo chantageados e, com medo de ter de pagar por seus crimes, seguem o senhor presidente da casa como gado. Sabe-se que se ele cair "metade da Câmara cai junto". Para muitos dos deputados a favor do impedimento, a saída da presidente pode significar o abafamento das investigações. Seria a janela necessária para anestesiar boa parte da população que, feliz com impeachment, não daria a mínima para os outros crimes. Você que é contra a corrupção, aceita que isso aconteça?

Terceiro ponto: Esse processo não está acontecendo por pressão popular. Inocente é aquele que acha que o ocorre em Brasília é resultado do clamor das ruas! Sabemos que isso só está acontecendo por que um grupo, elitista e interesseiro, vê possibilidades pessoais no impedimento. Alas que querem regredir com os direitos trabalhistas e que querem adotar uma pauta neoliberal estão coçando as mãos na espera da mudança na presidência para poder agir. Sabemos, também, que esse processo é obra da vingança do presidente da casa que, ressentido com o apoio do partido do governo ao seu processo de cassação, resolver acolher o pedido para tentar, numa queda de braço, sair vitorioso. Exatamente por isso, aqueles que acham que depois da presidente serão os "outros corruptos", podem tirar o "cavalinho da chuva"!

Quarto ponto: Finalmente, boa parte dos deputados que votaram sim, não argumentaram embasamento para o processo. Homenagearam parentes e grupos para os quais fazem lobby e citaram a situação econômica. A Constituição não prevê impeachment por falta de habilidade governamental. A incompetência não serve de parâmetro para determinar um crime! Os verdadeiros criminosos estão conduzindo o processo em vez de estar sentados no banco dos réus.

Enfim. Devemos esperar os desdobramentos do processo para saber qual será a real situação do país. viveremos em um mundo maravilhoso ou aprofundaremos ainda mais a crise de governabilidade? Manteremos direitos e conquistas sociais ou seremos colocados de lado mais uma vez? Por mais que eu tenha esperança, não vejo um futuro promissor a longo prazo com a nossa democracia ameaçada e o estado democrático de direito ignorado!

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