sábado, 30 de abril de 2016

A farsa do 1° de Maio

Trabalhadores lutam por seus direitos em Chicago, 1886.


Estamos em meio a mais um 1° de Maio. Data em que comemoramos o Dia do Trabalho cercado de eventos, festas e entretenimento. Data em que costumamos de nos orgulhar de ser trabalhadores onde, em tese, somos reconhecidos pela nossa contribuição ao "engrandecimento da da nação". Contudo, o que se comemora nesse dia não passa de uma mentira! Não que não devemos glorificar nossos trabalhadores, muito pelo contrário. Mas a mentira fica escancarada no que diz respeito às divergências entre o real significado da data e o significado de nós damos a ela.

Comemoramos uma data importante em nível mundial sem saber o que realmente ela significa, o que ela simboliza para nós, trabalhadores. A origem dessa data comemorativa está ligada às manifestações de Chicago-EUA no ano 1886, onde trabalhadores explorados e negligenciados em seus direitos se revoltaram contra a classe empresarial por condições dignas de trabalho e melhores condições de vida. O movimento resultou num verdadeiro massacre aos mais fracos. A derrota em praça pública foi o início de sucessivas vitórias da classe operária. Os direitos trabalhistas conquistados até os dias atuais devem-se aos movimentos revoltados de trabalhadores que não se contentavam com a condição da qual eram submetidos. Enfim, a data simboliza a luta dos trabalhadores que não abaixam a cabeça, que não se contentam com migalhas, que estão dispostos a dar sua vida por um mundo mais justo. Serve para lembrar daqueles que morreram lutando, de fome, de doenças, durante o trabalho. Daqueles que não tinham férias remuneradas, salário mínimo, estabilidade no emprego, seguro social. Serve para recordarmos as crianças que "trabalhavam como gente grande" para garantir pelo menos uma alimentação precária e sobreviver mais um dia para, no dia seguinte, tentar de novo. 

Trata-se de uma data que deveria nos unir como classe trabalhadora. Nos recordar o ideal pelo qual lutamos, ou deveríamos lutar. Agregar em um mesmo bloco uma classe que, se unida, se torna invencível. Deveríamos nessa data discutir o que alcançamos e o que ainda precisa ser alcançado. Combater as ameaças que atualmente rondam os nossos direitos aqui no Brasil e no mundo.

Infelizmente, a formação de opinião, a começar pelas escolas, lá na infância, transforma o 1° de Maio em "Dia das Profissões". Fazemos as crianças listarem o que elas querem ser quando crescer (como se crianças da classe trabalhadora tivessem escolha), irem para a escola fantasiadas, contar a profissão dos pais, pesquisar sobre profissões e montar lindos painéis e cartazes. Mas e o real significado? E a luta da classe trabalhadora por direitos e reconhecimento? Isso não é importante. Falar sobre isso nas escolas assume, para muitos ignorantes, o caráter de doutrinação marxista e, com isso, o 1° de Maio se transforma em dia de festa e não de luta.

Aguardo ansiosamente o dia em que essa data será lembrada pela importância e significado e não mais como um feriado. Não mais como o único dia em que o trabalhador será "valorizado". Não mais como um mecanismo de manipulação ideológica que desvirtua o trabalhador de seu objetivo e ideais.

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