sábado, 26 de setembro de 2015

O Estatuto da Família e a desconstrução do Estado laico

Deveria existir bancada evangélica em um Estado laico?*

Quando tratamos do assunto “fundamentalismo religioso”, nos vem à mente uma única religião apenas: o islamismo. Ao tratar de fanatismo, e opressão de um Estado teocrático sobre sua população, os muçulmanos é quem são lembrados. Mas, e o Estado fundamentalista cristão, existe? Por incrível que pareça, estamos vivendo em um, sutilmente disfarçado de Estado laico. Esse assunto me vem à tona, além de outros acontecimentos, em virtude do novo Estatuto da Família, aprovado por uma comissão especial na Câmara dos Deputados.

Por que isso pode ser considerado fundamentalismo cristão? Vamos a alguns pontos: quem determina que o casamento ou união afetiva deva ser somente entre um homem e uma mulher? A religião, no caso da predominante em nosso país, cristã. Mas o sujeito pode apelar para biologia e dizer, como proferiu um candidato à presidência da república durante um dos debates realizados no ano passado (2014), que “órgão excretor não reproduz”, mas a presunção de que o casamento e o sexo têm por objetivo a reprodução também é uma imposição religiosa.

Infelizmente, a crença em um Estado verdadeiramente laico, capaz de legislar e governar para todos os cidadãos, independente de sua religião, parece distante. Com um congresso tão conservador como esse atual, parecemos estar regredindo e retornando ao período medieval onde a Igreja esta acima dos reis. Há um atraso gigantesco ao aprovar o casamento homo afetivo, existem ainda preconceitos no que diz respeito a adoção de crianças, além de um debate desnecessário sobre a abordagem desse assunto nas escolas.

No entanto, como dizer que um tio que cria um sobrinho não pode ser considerado família? O que dizer dos casais homo afetivos que já adotaram crianças, não constituem mais uma família? Mesmo entre os heterossexuais, qual a porcentagem no Brasil que segue o modelo de família determinada pelo estatuto? Quantas crianças não foram criadas apenas pelas mães, pelos pais ou pelos avós? Sem dúvida, quem criou esse estatuto não estava preocupado com “famílias desestruturadas”, essa pessoa devia estar com certeza empenhada em atingir os casais homossexuais e limitar sua aceitação na sociedade. Mas, do que esses pseudocristãos têm medo? O que eu ganho impedindo um casamento homo afetivo ou impedindo-os de adotar uma criança, comprar uma casa, adquirir bens, conseguir empregos, em resumo, viver uma vida tranquila e feliz? O que ganhamos perseguindo homossexuais?

Bom, faz parte da vaidade humana querer que todos sejam iguais a nós. Não conseguimos aceitar que alguém possa ser feliz sendo diferente da gente. Por isso, atacamos minorias e temos o objetivo de extingui-las, pelo menos de nosso país. Portanto, a felicidade dos outros nos incomoda e faremos de tudo para destruí-la.

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*Imagem disponível em <http://jornalggn.com.br/noticia/o-que-muda-com-a-aprovacao-do-estatuto-da-familia-segundo-especialistas> Acesso em 26. set. 2015.