sábado, 19 de setembro de 2015

Lutar contra a CPMF e proteger os ricos

Laerte e sua interpretação sobre a CPMF.*

A população brasileira, principalmente a classe média, chega a beirar o "idiotismo" (se é que essa palavra existe) quando tem de se posicionar ideologicamente. Resumidamente, a sociedade brasileira se organiza da seguinte forma: A alta burguesia está no topo. São os grandes empresários, donos de gigantescos impérios, e os grande latifundiários, figuras que se confundem com a lei nos interiores do país. Essa classe enriquece com rendimentos bancários, negócios, especulação (imobiliária e financeira), além da exploração e apropriação da produtividade do esforço alheio. Depois da alta burguesia vem a classe média, os cães de guarda daquela. Essa classe absorve todos os conceitas impostos pela alta burguesia por meio da mídia e da manipulação da opinião pública e os despeja sobre nós. A classe média é uma caricatura da alta burguesia, vista que a tenta imitar em todos os aspectos, mas não tem riqueza pra tanto. Ela é composta de médios empresários e assalariados (empregados da alta burguesia) com altos ganhos pela sua qualificação profissional. Ganham um pouco melhor e se sentem ricos. Por fim, vem a classe trabalhadora composta pelo restante da sociedade que realiza os "trabalhos subalternos" e recebe, em salários, o suficiente para sobreviver e consumir. Alguns chegam até a receber melhores somas a ponto de tentar imitar a classe média. O fato é que a ideologia da alta burguesia é cuidadosamente pensada para por  os trabalhadores uns contra os outros (da classe média ou da classe trabalhadora) O que é mais grave é que essa ideologia transmitida nos faz sempre defender os interesses da alta burguesia, ou seja, protegemos com unhas e dentes aquilo que não é nosso, que não nos faz parte e que não irá nos beneficiar.

Comecei o texto falando sobre essas classes sociais brasileiras para abordar um assunto que povoa o noticiário atual: a "volta da CPMF". Esse imposto está sendo duramente criticado e rejeitado pela maioria da população e pelos meios de formação de opinião pública. Posso chutar que uns 90% dos que não veem com bons olhos esse retorno nunca procurou analisar como o imposto funciona e que impactos reais ele poderá causar no próprio orçamento familiar.

A CPMF cobrava 0,2% sobre operações bancárias. Algum crítico já procurou fazer o cálculo pra saber o impacto que isso causaria no próprio bolso. Aposto que não. Simplesmente ouve a palavra imposto e já esbraveja "já vai começar a tirar dinheiro da gente". 

Vamos a alguns exemplos: se você movimenta mensalmente o valor de R$1000,00, você contribuirá com R$2,00. Isso mesmo! Você vai sacrificar um dia talvez daquele pingado que costuma pedir na padaria pela manhã. Creio que R$2,00 não se configura nenhum rombo no orçamento. Ou vai discordar? Porém, se você da alta burguesia movimenta mensalmente a soma de R$15 bi, sua contribuição mensal será de R$30 mi. Entendeu por que mídia, patrocinada e pautada pela alta burguesia, abomina o possível retorno desse imposto? Mas alguns podem argumentar o sofrimento da classe média, que movimenta muitos valores mensais. Vamos a esse cálculo também: se você movimenta R$50 mil, pagará de imposto a soma de R$100,00. Logo, trata-se um imposto progressivo que afetaria somente os mais ricos do país.

Portanto, quando rejeitamos prontamente o retorno da CPMF apenas por ser mais um imposto, estamos protegendo a classe que nos explora. Quando finalmente a conta vai chegar pra quem mais enriquece no país, a gente deixa a oportunidade passar por pura ignorância. Além desse fator, a ausência do imposto ainda trás outro problema: ele servia como um mecanismo para que a receita federal pudesse fiscalizar as movimentações financeiras. Com a sua extinção, ficou mais fácil sonegar o fisco nacional, trazendo prejuízos ainda maior aos cofres públicos do que a própria corrupção. Por fim, um rombo enorme, de R$40 bi, foi produzido em nossa riqueza com o fim da CPMF, ou seja, os ricos deixaram de dar sua parte para o crescimento de nosso país.

Fontes de pesquisa:





*Imagem disponível em <http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com.br/2007/12/cpmf-uma-charge-que-diz-tudo-por-laerte.html> Acesso em 19. set. 2015.

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