terça-feira, 1 de setembro de 2015

Imigrantes africanos na Europa: uma questão de justiça histórica

Charge retratando a xenofobia no continente europeu.*

Nessa semana, assistimos assustados as notícias das mortes de pessoas que tentavam, em busca de esperanças, entrar em continente europeu. A apavorante cena de dezenas de mortos em um naufrágio, incluindo, principalmente, mulheres e crianças chocou o mundo. Esse não é o primeiro caso e nem será o último. Ainda neste ano tivemos outro grande naufrágio que matou inúmeras pessoas que tentavam cruzar o Mediterrâneo em busca do continente que tanto os explorou e os corrompeu.

No passado o continente africano foi (e ainda é) largamente explorado pelas grandes potências europeias. Esse continente foi saqueado, sua população foi sugada e suas riquezas extraídas até o último pedaço. Ainda no período das Grandes Navegações (Séculos XV e XVI) todo o litoral do continente foi ocupado pelos portugueses, onde instalavam feitorias dedicadas ao comércio de escravos, corrompendo os africanos a capturar irmãos no interior do continente em troca de quinquilharias que os europeus carregavam.

No século XIX, para abastecer as recém-nascidas indústrias, os europeus passaram a ocupar efetivamente o continente para explorar sua população e suas riquezas minerais. Para colonizar o continente as nações europeias repartiram o território como se fosse uma pizza. Cada país ficou com seus espólios da negociação e, nessa divisão, não foi levado em conta as etnias e suas terras no continente. Várias tribos foram separadas ou obrigadas a conviverem em um mesmo espaço imposto pelo colonizador europeu. Esse fato desencadeou diversos conflitos que ainda ocorrem na atualidade. A principal cicatriz que a África carrega é a pobreza extrema e as guerras civis que assolam a população e motivam o fluxo emigratório.


Fronteiras da África definida em sua partilha, no século XIX.**

A Ásia passou pelo mesmo processo. No século XVI ela foi explorada em prol do lucrativo comércio de especiarias com as Índias e no século XIX foi vítima de uma industrialização e modernização forçada, principalmente pelos ingleses.


Ásia ocupada pelas grandes potências no século XIX.***

Hoje essas populações, vítimas das consequências dessa exploração passada, tentam uma chance de vida digna nas terras de suas ex-metrópoles. Porém, os europeus não reconhecem sua dívida histórica para com os africanos e asiáticos. Eles foram bem vindos durante muito tempo. Após a Segunda Guerra Mundial, quando a Europa precisava de braços para sua reconstrução (já que grande parte de sua população masculina foi perdida em combate), os imigrantes eram aqueles que aceitavam fazer os “trabalhos subalternos” por um baixo custo.



A situação começou a mudar em virtude da crise econômica que aumentou o índice de desemprego nos países europeus. Os imigrantes, outrora bem vindos, agora são tidos como “ladrões de empregos”. Isso mesmo! Aqueles cargos que antes eram tidos como subalternos ou inferiores agora são requisitados pelos nativos da Europa. A crise também fez com que a fronteira da Europa se fechasse impedindo aqueles que fogem da pobreza e da miséria de entrar no continente. Como consequência, tivemos o aumento da clandestinidade, que torna as condições de viagem cada vez mais desumanas. Muitos, quando sobrevivem à viagem, acabam presos no litoral e deportados para viver na miséria, da qual não têm culpa alguma.

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*Imagem disponível em <https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/05/30/imigracao-de-mao-de-obra-qualificada/> Acesso em 31. ago. 2015.
**Imagem disponível em <http://www.culturamix.com/cultura/curiosidades/neocolonialismo-caracteristicas-gerais> Acesso em 31.ago. 2015.
***Imagem disponível em <http://professorchagasramos.blogspot.com.br/p/idade-contemporanea.html> Acesso em 31. ago. 2015.