sábado, 5 de setembro de 2015

Corredores de ônibus e ciclovias em São Paulo

Protesto contra a ciclofaixa em um bairro de São Paulo.*

Um foco de conflitos na atual gestão da Prefeitura do Município de São Paulo vem dando muito o que falar. Trata-se da ampliação de ciclovias/ciclofaixas e dos corredores de ônibus na cidade de São Paulo. O fato é que essas medidas estão se mostrando profundamente impopulares e podem custar a reeleição do atual prefeito. As reclamações partem principalmente dos motoristas de veículos particulares, sempre respaldados pela grande mídia, que insiste em apontar somente os aspectos negativos do programa.

O caos no trânsito de São Paulo não é algo inédito. Pelo contrário, sempre foi motivo de reclamações por parte de motoristas, pedestres e usuários do transporte coletivo. Essa cidade, desde o projeto urbanístico rodoviarista implantado por Preste Maia, se caracteriza pelo dificuldade no deslocamento urbano. Porém, pela opinião pública atual, fica parecendo que a atual gestão piorou a cidade.

Por que priorizar o transporte coletivo e alternativo apesar de serem medidas impopulares? A resposta está nos benefícios. As mais desenvolvidas cidades do mundo apresentam um bom serviço de transporte coletivo. Trata-se de pensar maioria e não em uma minoria individualista. Os ônibus transportam a maioria, geralmente das periferias da cidade que se desloca em longas viagens para ir e voltar do trabalho. Gasta-se em média três horas por dia nesses trajetos. Nesse ponto, a atual gestão acertou. Ampliar os corredores de ônibus e dar mais espaços a eles nas grandes vias da cidade significa priorizar a maioria que, além do tempo de viagem, ainda viaja desconfortavelmente e, grande parte das vezes, em pé. Isso desgasta o ser humano. Outro benefício do transporte coletivo reside em fatores ambientais. Significa que um veículo que transporta dezenas de pessoas ao mesmo tempo contribui muito menos para a emissão de gases poluentes do que vários veículos particulares que, em muitos casos, transportam apenas uma pessoa. Além disso, povoar as ruas de ônibus e despovoá-las de carros reduzirá, também, a lentidão nas grandes cidades.

A ciclovias/ciclofaixas podem oferecer benefícios ainda maiores. É consenso na sociedade que praticar exercícios e abandonar o sedentarismo é importante para uma vida longa e saudável. Sabemos que o ciclismo é uma atividade muito benéfica à saúde e que sua prática (assim como todos os outros esportes) deve ser estimulada. Contudo, a cidade não tinha espaços para a prática do ciclismo. Muito dos que se aventuravam a ir para o trabalho de bicicleta, pelo menos até uns 5 anos atrás, rumavam a caminho da morte certa. A ciclovia/ciclofaixa deu a muitos a coragem e o incentivo de sair do sedentarismo e iniciar uma atividade física rotineira. Tenho certeza de que grande parte da população, se pudesse, deixaria o carro na garagem e pegaria a bike, visto que não gasta combustível e a manutenção é de baixo custo se comparada aos automóveis. Além disso, assim como o transporte coletivo, as ciclovias/ciclofaixas são benéficas para a locomoção urbana, já que uma bicicleta a mais na rua é igual um carro a menos.

Porém, a mídia tem um papel importante para a conscientização da população sobre os efeitos citados acima. Infelizmente, ela faz o papel inverso. As rádios, televisões e jornais fazem questão de registrar apenas reclamações de usuários de transporte motorizado individual e apontar as complicações no deslocamento urbano que toda mudança, de início, causaria. Cria-se uma sensação de fracasso em um projeto cujo resultados só poderão ser visto em longo prazo. Mas qual o interesse da mídia em manipular a opinião pública para ser contra o transporte coletivo e alternativo? Sabemos que os meios de comunicação são mantidos via patrocínio empresarial e, nesse contexto, esses meios têm de defender os interesses de seus patrocinadores. A verdade é que a melhoria do transporte coletivo e alternativo significam menos consumo de combustível (prejudicando a indústria petroquímica), queda na venda de automóveis (contrariando a indústria automobilísitica) e conservação maior das vias (enfrentando os interesses das empreiteiras que patrocinam campanhas políticas).

Temos de entender que esse projeto é de longo prazo, ou seja, seus efeitos só poderão ser vistos, talvez, na próxima geração. Tenho certeza que as crianças de hoje não serão usuárias de automóveis particulares no futuro. Dessa forma, criaremos, em breve, uma sociedade mais humana e saudável. Infelizmente, a manipulação midiática e os interesses do grande capital tendem a jogar fora tudo que foi conquistado até agora. As eleições municipais estão aí e eu prevejo um resultado tenebroso.

*Imagem disponível em <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/10/moradores-protestam-contra-ciclovia-em-interlagos-na-zona-sul-de-sp.html> acesso em 05. set. 2015.

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