domingo, 16 de agosto de 2015

Dia 16/08/2015 - Mais um espetáculo de analfabetismo político no Brasil

Uma das manifestações contra o PT 
onde grupos pediam a volta do regime militar.*

A nossa população conhece a forma como se dá a distribuição dos poderes no Brasil? Seria esperança demais imaginar que pelo menos 15% dos brasileiros já procuraram acessar a Constituição Federal de 1988 para examinar a nossa legislação afim de conhecer as atribuições de cada poder, os direitos e deveres de todos os cidadãos, a legislação sobre voto e, por fim, as possibilidades de impeachment

Pedir a derrubada da atual presidente é acreditar que ainda vivemos no absolutismo. Naquele tempo em que o rei tinha poder sobre a vida e morte de qualquer um de seus súditos. Ele era o juiz e, ao mesmo tempo, o legislador. Basta um decreto, um anúncio. Sua palavra era a lei. Ou seja, a administração de um reino estava nas mãos de um única pessoa. A mudança de um rei poderia implicar profundas transformações no reino, sejam elas boas ou ruins.

Em vista do que foi lido no parágrafo acima, cabe a pergunta: Você acredita mesmo que a mudança de presidente vai implicar em profundas transformações para o nosso país? Num país que, além da presidente, conta com 513 deputados federais e 81 senadores, além de vários governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, podemos mesmo atribuir a culpa pela conjuntura atual a um só indivíduo ou a um só partido entre dezenas que participam da administração pública?

Este artigo, em nenhum momento, está se preocupando em defender a presidente e seu partido. É reconhecível sua forma de governar, seus equívocos e seus muitos pontos negativos. Isso é inegável. Declaro, também, não ser simpatizante do partido que atualmente ocupa o poder executivo neste país. O intuito deste artigo é combater o analfabetismo político e a falta de conhecimento que nos tornam facilmente manipuláveis e nos faz seguir uma ideologia e um sonho que não são nossos. 

Os pedidos de impeachment, no meu ver, não passam de demonstração de não aceitação da derrota. Aqueles que querem a troca no executivo são os que não digeriram o fato de terem perdido. Não estão dispostos a esperar 4 anos para tentar novamente. A grande massa que comparece aos eventos pela saída da presidente, em muitos casos (talvez a maioria), são pessoas influenciadas pela mídia, pelo noticiário onde o que é informado é cuidadosamente selecionado. Basta uma notícia negativa sobre o atual governo que as redes sociais fervilham. Estratégia inteligente e perfeita. A indignação também é seletiva.

Dessa forma, acabamos por ir ás ruas lutar pelo que não é nosso. Por um sonho que não temos e, na forma como a sociedade é gerida atualmente, dificilmente iremos realizar. Somos uma grande massa de manobra para que uma minoria consiga atingir seus objetivos para depois nos descartar. Infelizmente, poucos se abrem para pensar racionalmente, usar a lógica e tentar ver as coisas por outro lado. 

Dia 16/08/2015 foi dia de manifestação. Torci, inutilmente, para que não fosse um espetáculo da bizarrice, da burrice e da ignorância, como nas duas últimas, ocorridas nesse mesmo ano, o ano da democracia desde que meu candidato seja eleito.

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*Imagem disponível em: <http://www.marcoaureliodeca.com.br/2014/11/05/manifestacoes-anti-dilma-sao-golpistas/> Acesso em 16. ago. 2015.