sábado, 26 de setembro de 2015

O Estatuto da Família e a desconstrução do Estado laico

Deveria existir bancada evangélica em um Estado laico?*

Quando tratamos do assunto “fundamentalismo religioso”, nos vem à mente uma única religião apenas: o islamismo. Ao tratar de fanatismo, e opressão de um Estado teocrático sobre sua população, os muçulmanos é quem são lembrados. Mas, e o Estado fundamentalista cristão, existe? Por incrível que pareça, estamos vivendo em um, sutilmente disfarçado de Estado laico. Esse assunto me vem à tona, além de outros acontecimentos, em virtude do novo Estatuto da Família, aprovado por uma comissão especial na Câmara dos Deputados.

Por que isso pode ser considerado fundamentalismo cristão? Vamos a alguns pontos: quem determina que o casamento ou união afetiva deva ser somente entre um homem e uma mulher? A religião, no caso da predominante em nosso país, cristã. Mas o sujeito pode apelar para biologia e dizer, como proferiu um candidato à presidência da república durante um dos debates realizados no ano passado (2014), que “órgão excretor não reproduz”, mas a presunção de que o casamento e o sexo têm por objetivo a reprodução também é uma imposição religiosa.

Infelizmente, a crença em um Estado verdadeiramente laico, capaz de legislar e governar para todos os cidadãos, independente de sua religião, parece distante. Com um congresso tão conservador como esse atual, parecemos estar regredindo e retornando ao período medieval onde a Igreja esta acima dos reis. Há um atraso gigantesco ao aprovar o casamento homo afetivo, existem ainda preconceitos no que diz respeito a adoção de crianças, além de um debate desnecessário sobre a abordagem desse assunto nas escolas.

No entanto, como dizer que um tio que cria um sobrinho não pode ser considerado família? O que dizer dos casais homo afetivos que já adotaram crianças, não constituem mais uma família? Mesmo entre os heterossexuais, qual a porcentagem no Brasil que segue o modelo de família determinada pelo estatuto? Quantas crianças não foram criadas apenas pelas mães, pelos pais ou pelos avós? Sem dúvida, quem criou esse estatuto não estava preocupado com “famílias desestruturadas”, essa pessoa devia estar com certeza empenhada em atingir os casais homossexuais e limitar sua aceitação na sociedade. Mas, do que esses pseudocristãos têm medo? O que eu ganho impedindo um casamento homo afetivo ou impedindo-os de adotar uma criança, comprar uma casa, adquirir bens, conseguir empregos, em resumo, viver uma vida tranquila e feliz? O que ganhamos perseguindo homossexuais?

Bom, faz parte da vaidade humana querer que todos sejam iguais a nós. Não conseguimos aceitar que alguém possa ser feliz sendo diferente da gente. Por isso, atacamos minorias e temos o objetivo de extingui-las, pelo menos de nosso país. Portanto, a felicidade dos outros nos incomoda e faremos de tudo para destruí-la.

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*Imagem disponível em <http://jornalggn.com.br/noticia/o-que-muda-com-a-aprovacao-do-estatuto-da-familia-segundo-especialistas> Acesso em 26. set. 2015.


sábado, 19 de setembro de 2015

Lutar contra a CPMF e proteger os ricos

Laerte e sua interpretação sobre a CPMF.*

A população brasileira, principalmente a classe média, chega a beirar o "idiotismo" (se é que essa palavra existe) quando tem de se posicionar ideologicamente. Resumidamente, a sociedade brasileira se organiza da seguinte forma: A alta burguesia está no topo. São os grandes empresários, donos de gigantescos impérios, e os grande latifundiários, figuras que se confundem com a lei nos interiores do país. Essa classe enriquece com rendimentos bancários, negócios, especulação (imobiliária e financeira), além da exploração e apropriação da produtividade do esforço alheio. Depois da alta burguesia vem a classe média, os cães de guarda daquela. Essa classe absorve todos os conceitas impostos pela alta burguesia por meio da mídia e da manipulação da opinião pública e os despeja sobre nós. A classe média é uma caricatura da alta burguesia, vista que a tenta imitar em todos os aspectos, mas não tem riqueza pra tanto. Ela é composta de médios empresários e assalariados (empregados da alta burguesia) com altos ganhos pela sua qualificação profissional. Ganham um pouco melhor e se sentem ricos. Por fim, vem a classe trabalhadora composta pelo restante da sociedade que realiza os "trabalhos subalternos" e recebe, em salários, o suficiente para sobreviver e consumir. Alguns chegam até a receber melhores somas a ponto de tentar imitar a classe média. O fato é que a ideologia da alta burguesia é cuidadosamente pensada para por  os trabalhadores uns contra os outros (da classe média ou da classe trabalhadora) O que é mais grave é que essa ideologia transmitida nos faz sempre defender os interesses da alta burguesia, ou seja, protegemos com unhas e dentes aquilo que não é nosso, que não nos faz parte e que não irá nos beneficiar.

Comecei o texto falando sobre essas classes sociais brasileiras para abordar um assunto que povoa o noticiário atual: a "volta da CPMF". Esse imposto está sendo duramente criticado e rejeitado pela maioria da população e pelos meios de formação de opinião pública. Posso chutar que uns 90% dos que não veem com bons olhos esse retorno nunca procurou analisar como o imposto funciona e que impactos reais ele poderá causar no próprio orçamento familiar.

A CPMF cobrava 0,2% sobre operações bancárias. Algum crítico já procurou fazer o cálculo pra saber o impacto que isso causaria no próprio bolso. Aposto que não. Simplesmente ouve a palavra imposto e já esbraveja "já vai começar a tirar dinheiro da gente". 

Vamos a alguns exemplos: se você movimenta mensalmente o valor de R$1000,00, você contribuirá com R$2,00. Isso mesmo! Você vai sacrificar um dia talvez daquele pingado que costuma pedir na padaria pela manhã. Creio que R$2,00 não se configura nenhum rombo no orçamento. Ou vai discordar? Porém, se você da alta burguesia movimenta mensalmente a soma de R$15 bi, sua contribuição mensal será de R$30 mi. Entendeu por que mídia, patrocinada e pautada pela alta burguesia, abomina o possível retorno desse imposto? Mas alguns podem argumentar o sofrimento da classe média, que movimenta muitos valores mensais. Vamos a esse cálculo também: se você movimenta R$50 mil, pagará de imposto a soma de R$100,00. Logo, trata-se um imposto progressivo que afetaria somente os mais ricos do país.

Portanto, quando rejeitamos prontamente o retorno da CPMF apenas por ser mais um imposto, estamos protegendo a classe que nos explora. Quando finalmente a conta vai chegar pra quem mais enriquece no país, a gente deixa a oportunidade passar por pura ignorância. Além desse fator, a ausência do imposto ainda trás outro problema: ele servia como um mecanismo para que a receita federal pudesse fiscalizar as movimentações financeiras. Com a sua extinção, ficou mais fácil sonegar o fisco nacional, trazendo prejuízos ainda maior aos cofres públicos do que a própria corrupção. Por fim, um rombo enorme, de R$40 bi, foi produzido em nossa riqueza com o fim da CPMF, ou seja, os ricos deixaram de dar sua parte para o crescimento de nosso país.

Fontes de pesquisa:





*Imagem disponível em <http://muitasbocasnotrombone.blogspot.com.br/2007/12/cpmf-uma-charge-que-diz-tudo-por-laerte.html> Acesso em 19. set. 2015.

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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Escravos do consumo

Já nascemos destinado a ser consumidores.*

Vivemos uma vida sem sentido. Trabalhamos do início ao fim de nossa existência simplesmente para comprar e adquirir produtos, que se inovam a um ritmo alucinante sem precedentes. Invertemos nossos valores e deixamos nossa essência de lado. Passamos a valorizar o "ter" em lugar do "ser". Nosso caráter não tem a mínima importância desde que possuamos bens.

Mas como nos tornamos assim? Por que deixamos de nos preocupar com coisas importantes do nosso dia a dia, do nosso viver, para virarmos escravos de produtos? Devemos mesmo aceitar que seja normal que não possamos viver nossas vidas? Deveria ser tolerável o fato de vivermos uma vida inteira em trabalhos que muitas vezes desprezamos, abominamos e detestamos simplesmente para poder continuar obtendo os bens e produtos que nos despejam o tempo inteiro?

Nem sempre fomos assim. Esse processo de modernização que culminou com nossa sociedade atual teve início desde a Revolução Industrial, quando a economia capitalista possou a se alicerçar em comercialização de consumo pouco duráveis e descartáveis. O consumo de produtos supérfluos passou a sustentar toda uma cadeia produtiva que tem na compra e venda de produtos sua base principal e indispensável.

Façamos o seguinte raciocínio: se estamos sempre comprando, estamos mantendo a demanda para a fabricação de produtos diversos, estimulando sua produção. Nesse contexto, o consumo gera empregos que, com seus salários, ampliará ainda mais o consumo. Esse cadeia se inicia e se encerra no consumo e então tudo começa novamente. Se deixarmos de consumir, acabaremos boicotando a produção que, como consequência, acarretará em desemprego e crise econômica.

O problema é que o consumo nos torna escravos do trabalho. O desejo constante, motivado por propagandas, mídias e formação de opinião pública, nos faz labutar feito animais, de forma forçada, com o consolo de que esse sofrimento nos renderá aqueles produtos que sonhamos. Porém, poucos percebem que provavelmente esses produtos nem nos farão falta. Essa necessidade de adquirir é artificial, nos foi inserida de fora pra dentro.

O consumo, apesar de ser o sustentáculo da economia moderna e fator essencial para o crescimento econômico nos moldes do mercado atual, produz impactos diversos. Quando às consequências ambientais, não precisamos pensar muito para entender. Basta compreender que, quanto mais consumimos, mais matéria prima é extraída e mais lixo será produzido. Já estamos ficando sem espaço. No aspecto social, assim como o consumo sustenta o tráfico, nosso hábito de comprar sem parar sustenta a exploração humana. Miseráveis de várias partes do mundo (incluindo crianças) trabalham em regime de exploração extrema para garantir nossos bens de consumo a preços baixos. No aspecto ideológico o consumo nos anestesia. O prazer de adquirir algo novo nos faz esquecer a essência de nossa sociedade. Entender como ela funciona não nos interessa mais. Estamos mais preocupados em trabalhar para juntar o dinheiro necessário para providenciar aquilo que desejamos. Nos tornamos individualistas.

Por fim, no âmbito pessoal, o hábito de comprar, apesar de nos dar um prazer momentâneo, nos torna mais infelizes. Estando escravo do trabalho, não nos sobra tempo para as coisas mais importantes da vida como a diversão, o lazer, o tempo livre, a família, os filhos, os amigos... Ralamos o dia inteiro no serviço e quando chegamos em casa sentaremos a frente da TV, onde assistiremos propaganda que nos farão comprar mais. Entramos em um ciclo de trabalho, compra e dívidas que nos envolve e não nos deixa sair.

Logo, é possível compreender que não somos livres. A liberdade não existe, ela é uma mera ilusão. Não somos obrigados a trabalhar, mas o sociedade nos obriga a consumir que, consequentemente, nos obriga a se submeter a uma rotina nada prazerosa, degradante e humilhante apenas para enriquecer aqueles que nos exploram e nos manipulam para perpetuar essa condição.

*Imagem disponível em <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2011/08/consumismo-desenfreado-voce-tem-prazer.html> Acesso em 17. set. 2015.

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sábado, 12 de setembro de 2015

A proibição do Uber: uma agressão ao Liberalismo

Protesto contra o Uber, em frente ao Congresso Nacional.*

O Uber foi alvo de uma grande polêmica nas grandes cidades brasileiras. O serviço de "carona paga" oferecido por motoristas "não profissionais" do transporte de passageiros tirou dos taxistas uma grande parte de seu faturamento provocando a fúria destes. O ódio, a ignorância e a truculência de alguns motoristas de táxi foram notícia em vista da prática de "depredação de patrimônio privado", sequestro, ameaça e agressão aos motoristas rivais e aos passageiros que optassem em usar o serviço "alternativo" de transporte. Esses eventos e a pressão dos taxistas levantaram a necessidade do Estado tomar uma decisão sobre o uso do aplicativo. Haviam duas opções: regulamentar a atividade ou proibir o uso do Uber.

Eis que nessa quarta feira (10/09/2015) a Câmara Municipal de São Paulo tomou uma decisão: está proibido o uso do aplicativo na cidade de São Paulo. O projeto aprovado com ampla maioria ainda vai para mesa do Prefeito, para ser sancionado ou não. Mas, diante da pressão e dos eventos violentos, a tendência é que a nova lei entre em vigor.

Essa notícia abriu caminho para um debate de cunho teórico e ideológico. Aqueles que são contra manifestações violentas para lutar por seus direitos em manifestações, que fecharam as ruas em seus protestos atrapalhando o direito de ir e vir daqueles que não têm nada a ver com a causa, que entram nas sessões de votação e provocam gritarias e manifestações antidemocráticas por não permitir o lado contrário ser ouvido, por favor expliquem: os taxistas teriam conquistados seus anseios sem agir dessa forma? Os professores vão conquistar melhores condições de trabalho se não agirem assim? O operário vai conseguir melhores salários se for politicamente correto?

Contudo, a discussão que pode ser aberta é a que diz respeito sobre o liberalismo. Grande parte da nossa sociedade, sem perceber de onde vêm a ideologia, defende a livre-concorrência, o não-intervencionismo estatal e a meritocracia. Agora eu pergunto a esses defensores do cada um por si: é correto o Estado proibir o Uber em prol dos taxistas? Pensando ideologicamente como um liberal, isso é uma grande agressão ao livre mercado. Adam Smith, um dos principais mentores desse pensamento, acreditava que o mercado se auto regularia pela lei da oferta e procura, que havia uma mão invisível do mercado que colocaria tudo em ordem. O Estado não precisaria intervir, bastava ficar de fora que tudo se ajustaria automaticamente.

Trazendo o pensamento de Smith para o acontecimento atual, devemos interpretar da seguinte forma: tudo deve ser ajustado pela lei da oferta e procura e pela meritocracia. Se os taxistas estavam perdendo clientes para o Uber, isso quer dizer que o aplicativo estava oferecendo um melhor serviço a um bom preço. Logo, os Uber's estavam sendo mais competentes na livre-concorrência do mercado. Se os taxistas querem vencer essa concorrência deveriam conseguir um meio de obter a vantagem nessa competição, eles não deveriam recorrer ao Estado para protegê-los de uma concorrência que conseguiram vencer.

O liberalismo (base ideológica das constituições modernas da maioria dos estados nacionais) propõe o cada um por si e atribui a cada um o seu sucesso ou seu fracasso. Se você foi bem sucedido, parabéns! Se você fracassou, a culpa é sua por não ser criativo ou por não trabalhar duro o suficiente. Esse tipo de ideal condena, por exemplo, o bolsa família e as cotas raciais em universidades. O que está em foco nessa postagem não é o mérito se o Uber deve ser proibido ou não. Mas sim para as pessoas começarem a buscar entender de onde vem o seu modo de pensar para não agir de forma contraditória com seus ideais, que muitas vezes nem são delas, foram impostas a elas por um sistema de manipulação da opinião pública.

*Imagem disponível em <http://circuitomt.com.br/editorias/brasil/72294-apos-agressao-uber-cria-0800-para-ajudar-motoristas.html> Acesso em 12. ser. 2015.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O 11 de setembro que ninguém recorda

Salvador Allende, presidente chileno
deposto por Augusto Pinochet.*

O dia 11 de setembro é uma data lembrada em todo o mundo. Quem não se comove ao ver as torres gêmeas desmoronando e o orgulho estadunidense sendo ferido? O aniversário desse acontecimento sempre se destaca por ser um dia de resignação e reflexão. Dia de pensar nas quase 3000 vítimas de um dos maiores atentados terroristas da história e o maior golpe sofrido pelos Estados Unidos dentro de seu próprio território continental.

Porém, não sobre esse trágico 11 de setembro que eu estou escrevendo. O evento em qual estou focado nessa data é o que ocorreu no Chile. Em 11 de setembro de 1973 caia um governo democrático e promissor para iniciar uma das mais sangrentas ditaduras ocorridas na América Latina.

Salvador Allende, médico e político, liderando uma coalizão de partidos de esquerda, foi eleito presidente do Chile em 1970. Seu governo se destacou pela intensificação do processo de reforma agrária, pela nacionalização dos recursos minerais e empresas estrangeiras e por sua política voltada para o trabalhismo e transformação social. Contudo, seu governo incomodava a elite chilena que conspirava para tirá-lo do poder.

Com o apoio dos Estados Unidos (que não queria ver surgir na América Latina "uma nova Cuba") o Palacio de la Moneda foi cercado e, para reduzir a pressão que sofria para deixar o poder, Allende nomeou Augusto Pinochet como comandante em chefe do exército. Mas o gesto do presidente não surtiu efeito e, no dia 11 de setembro de 1973, a sede do governo foi bombardeada por tanques de guerra e Allende teria se suicidado diante do evento (segundo fontes oficiais). Iniciava-se assim o governo ditatorial de Augusto Pinochet, um dos mais violentes regimes militares da história latino-americana.

Em sua gestão, Pinochet regrediu em tudo que Allende havia promovido, privatizando a educação e a saúde do país, por exemplo. O período se caracterizou pelo alto desemprego com consequente exclusão social da classe trabalhado chilena. Seu governo terminaria no ano de 1990 diante da pressão da opinião pública em relação à sua terrível e repressora gestão.

*Imagem disponível em <https://cdusoure.wordpress.com/2014/09/11/chile-11-de-setembro-de-1973/> Acesso em 11. set. 2015.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Por que o trabalhador se tornou descartável?

Trabalhadores em linha de produção.*

Antes do mundo capitalista, prevalecia na Europa o modo de produção feudal. Nesse período os meios de produção (terras) pertenciam ao senhor feudal. Ao servo lhe era concedida apenas o direito de uso mediante pagamento de impostos. Esses feudos eram auto suficientes e o comércio era bem modesto, praticamente inexistente. Porém, o desenvolvimento das técnicas de produção e o melhor conhecimento dos fenômenos naturais fizeram com que os feudos produzissem mais do que o necessário para seu auto sustento. É nesse período, durante o século XIII, que o comércio ressurge para a troca desses excedentes. 

Texto completo em Blasting News BR.

Imagem disponível em <http://blog.sarmento.eng.br/?p=138> Acesso em 10. set. 2015.

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terça-feira, 8 de setembro de 2015

O atual massacre dos povos indígenas

A expansão do agronegócio é o principal inimigo dos indígenas
na atualidade.*

Há 500 anos, desde que os portugueses começaram a povoar nosso território, temos assistido a um espetáculo de massacre e genocídio. Trata-se da tragédia dos povos indígenas destituídos de suas terras, onde viveram por gerações. Os índios tiveram sua cultura renegada, sua religião ignorada e sua história esquecida. Em nome da cruz (trazida pelos jesuítas catequizadores) e da espada (representada pela guerra, enfrentada contra os colonizadores). eles foram escravizados, expropriados e exterminados em nome do progresso e da civilização trazidos pelo homem branco.

Quando os portugueses começaram a ocupar a região litorânea do país muitas tribos migraram do interior para fugir do terror trazido pelo "império da morte". Achavam que ali estariam seguros, mas se enganaram. Nossos heróis, os bandeirantes, os alcançaram. Fizeram deles caça, uma presa a ser posta em cativeiro para ser vendida nos mercados de escravos do litoral. Em nome do desenvolvimento, destruiu-se famílias, culturas inteiras e histórias que ficaram para sempre perdidas.

Hoje esse povo tenta resistir bravamente. É uma batalha muito dura contra a modernidade, o progresso e, ainda nesse século, a guerra. Eles são vítimas agora da chamada "expansão da fronteira agrícola". Em defesa do desenvolvimento e do crescimento econômico, o governo brasileiro vem incentivando a ocupação de áreas que até a década de 1940 se constituíam em grandes vazios demográficos. Está em curso a destruição do último reduto onde as culturas indígenas pudessem ser preservadas: o Norte e o Centro Oeste.

Fazendeiros e poderosos do "interior do Brasil", armados e acima da lei expurgam os índios de suas terras que para eles são sagradas, mais do um mero pedaço de chão. É um solo divino que abrigou sua família por gerações. A terra perde seu valor sacro e passa a ter o valor financeiro, estipulado pelo civilizado homem branco.

Os acontecimentos atuais (as invasões e expulsões e terras indígenas) abrem espaço para a reflexão. É tempo de parar pra pensar: afinal que é o civilizado e quem é o selvagem? A minha resposta está na ponta da língua: sempre se defendeu a ideia de que o índio era inferior, alguns nem os consideram humanos. Isso serviu de justificativa para o massacre endossado pelo rei e autorizado pela Igreja Católica. Porém, ao analisar a cultura indígena, uma coisa fica clara. O inferiores somos nós, membros do que os índios chamavam de Império da Morte.

*Imagem disponível em <http://prestesaressurgir.blogspot.com.br/2013/06/massacre-dos-povos-indigenas-tudo-em.html> Acesso em 08. set. 2015.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Desconstruindo a Independência do Brasil

Retratação de d. Pedro com herói da Independência do Brasil.*

Dia 7 de setembro de 1822, o dia de nossa independência. Finalmente, após 322 anos, o Brasil estava liberto do julgo de Portugal. Agora os brasileiros poderiam respirar aliviados. Poderiam! A face da nossa independência que nos é mostrada é uma face muito romântica e bela. Mas a independência não é cercada de toda essa poesia que nos é contada, principalmente no dia em que essa data é comemorada.

Os Brasil teve seus laços rompidos com Portugal já em 1808. Quando d. João , ainda príncipe regente, chega ao país com toda a sua corte para estabelecer em solo americano a sede do Império Português, é dado o primeiro passo para a nossa independência: a abertura dos portos às nações amigas. Na prática, está quebrado o antigo pacto colonial que obrigava o Brasil a ter Portugal com intermediário no comércio internacional. Ou seja, toda a entrada e saída de mercadorias no Brasil deveria passar primeiro por Portugal, encarecendo nossos produtos no mercado externo, elevando os preços dos produtos importados e enriquecendo comerciantes do reino em detrimento dos produtores brasileiros. A quebra do pacto colonial através da abertura dos portos representa a autonomia econômica para o país. O Brasil poderia agora comercializar diretamente com quem quisesse, desde que fosse de nações amigas de Portugal (que naquela época se resumia à Inglaterra).

Outro elemento iniciador da independência brasileira é retirada do Brasil do status de colônia. Outro decreto de d. João ao chegar no país é que trata da elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves. Isto é, o Brasil não é mais colônia de Portugal e sim um reino unido e sede de todo o império português. Essas primeiras linhas demonstram que a independência não surgiu de um gesto abrupto de d. Pedro como os livros do ensino fundamental sempre nos fizeram crer. Ela é resultado de um processo, que delimito aqui com a chegada da família real ao Brasil.

A independência de nosso país também não foi uma exclusividade na América. Os Estados Unidos, em conflito com os Ingleses, foram os primeiros em nosso continente, em 1776. A partir daí, diversas colônias na América Latina foram se libertando do julgo espanhol. Esses movimentos tiveram como inspiração a Revolução Americana (independência dos Estados Unidos) e a Revolução Francesa. O mundo naquele tempo proliferava os ideais de liberdade, igualda e fraternidade. As monarquias foram sendo, uma após outra, derrubadas. O sistema colonial já não era mais aceito, na América e no Mundo. Argentina, Chile, Bolívia, Venezuela, Haiti. Esses são exemplos de alguns países que iniciaram movimentos revolucionários com o objetivo de libertar-se das correntes europeias com luta, sangue e nacionalismo.

Mas, e a independência do Brasil, se encaixa nesse contexto? Não! Quando d. João (agora já coroado como d. João VI) teve de voltar com toda sua Corte para Portugal, deixou no como regente no Brasil o seu filho d. Pedro. Ele deveria governar esse lado do Império Português, reportar-se ao rei em Portugal e evitar, a qualquer custo, um movimento revolucionário semelhante aos da América Espanhola. Esse tipo de movimento ocorreu no Brasil de forma regional ainda antes de d. João chegar ao país, mas foram rapidamente sufocados como a Conjuração Mineira e a Conjuração Baiana.

Porém, as Cortes (o parlamento português), que ganhou muito apoio e poder com ausência do rei, pressionava continuamente para o retorno do príncipe a Portugal e o rebaixamento do Brasil de volta a categoria de colônia com a consequente restauração do pacto colonial. Uma elite brasileira, interessada na manutenção dos seus lucrativos negócios, começou a cercar d. Pedro pressionando-o a não obedecer as ordens vindas do reino. Claro que a elite contava, também, com a vaidade do nosso regente, que queria reinar. Estava unido o útil ao agradável.

No dia 7 de setembro de 1822, em São Paulo, às margens do Rio Ipiranga, enquanto retornava ao Rio de Janeiro de uma visita diplomática à Santos, d. Pedro recebeu uma mensagem enviada por sua então esposa, Maria Leopoldina, avisando que as Cortes enviaram um ultimato. Pedro era forçado a retornar sob as punições vindas do reino. Toda essa pressão, representada na carta de sua esposa, foi a gota d'água para d. Pedro. Num gesto simbólico ele ergue a espada, pede para sua comitiva acompanhá-lo e profere o famoso grito "independência ou morte". O Brasil já estava independente naquele momento? Não. Restava convencer os portugueses, a comunidade internacional e os brasileiros.

Iniciaram-se as negociações. Era necessário obter de Portugal o reconhecimento da independência do Brasil e os portugueses não estavam dispostos a abrir mão tão facilmente de sua mais rica colônia. A Inglaterra aparece como intermediária (mais um país independente era fundamental para os anseios industriais dos ingleses) e um acordo é costurado: Portugal aceitaria a Independência do Brasil mediante o pagamento de uma pesada indenização. Mas, de onde um país recém criado vai tirar dinheiro para pagar um altíssimo valor como esse? Estava tudo resolvido! Os ingleses em um "ato de benevolência" emprestaria esse dinheiro ao país nascente. Dessa forma o Brasil se tornaria independente de Portugal, mas dependente economicamente dos ingleses que passaram a ditar os rumos de nossa economia desde então. O reconhecimento oficial só viria em 29 de agosto de 1825, tornando o 7 de setembro de 1822 ainda mais duvidoso.

Era necessário convencer os brasileiros também. Muitas províncias não aceitaram a independência tal como foi feita. A libertação do país pelas mãos de um português, membro da família real portuguesa, não era bem vista por alguns setores da sociedade. Independências paralelas foram tentadas, principalmente nas províncias do Nordeste. Esses movimentos foram esmagados e a independência do Brasil foi imposta através da força, pelos apoiadores de d. Pedro. No final, esse evento em nada transformou o país. As antigas estruturas coloniais foram mantidas como a grande propriedade monocultora para exportação, a exploração do trabalho escravo e a miséria daqueles que eram maioria no país. Ao contrário dos Estados Unidos, não idealizado aqui uma nação antes nos tornarmos independentes.

Então o 7 de setembro não tem importância nenhuma? Tem sim! Essas datas são importante para que façamos reflexões e para que possamos sempre lembrar de nossa história, seja para acreditar cegamente que d. Pedro foi um grande herói, seja para duvidar e contestar o evento, formando uma opinião crítica sobre o fato. Esse foi o meu objetivo aqui.

*Imagem disponível em <http://blogdexucuru.blogspot.com.br/2015/09/07-de-setembro-dia-da-independencia-do.html> Acesso em 7. set. 2015.

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sábado, 5 de setembro de 2015

Corredores de ônibus e ciclovias em São Paulo

Protesto contra a ciclofaixa em um bairro de São Paulo.*

Um foco de conflitos na atual gestão da Prefeitura do Município de São Paulo vem dando muito o que falar. Trata-se da ampliação de ciclovias/ciclofaixas e dos corredores de ônibus na cidade de São Paulo. O fato é que essas medidas estão se mostrando profundamente impopulares e podem custar a reeleição do atual prefeito. As reclamações partem principalmente dos motoristas de veículos particulares, sempre respaldados pela grande mídia, que insiste em apontar somente os aspectos negativos do programa.

O caos no trânsito de São Paulo não é algo inédito. Pelo contrário, sempre foi motivo de reclamações por parte de motoristas, pedestres e usuários do transporte coletivo. Essa cidade, desde o projeto urbanístico rodoviarista implantado por Preste Maia, se caracteriza pelo dificuldade no deslocamento urbano. Porém, pela opinião pública atual, fica parecendo que a atual gestão piorou a cidade.

Por que priorizar o transporte coletivo e alternativo apesar de serem medidas impopulares? A resposta está nos benefícios. As mais desenvolvidas cidades do mundo apresentam um bom serviço de transporte coletivo. Trata-se de pensar maioria e não em uma minoria individualista. Os ônibus transportam a maioria, geralmente das periferias da cidade que se desloca em longas viagens para ir e voltar do trabalho. Gasta-se em média três horas por dia nesses trajetos. Nesse ponto, a atual gestão acertou. Ampliar os corredores de ônibus e dar mais espaços a eles nas grandes vias da cidade significa priorizar a maioria que, além do tempo de viagem, ainda viaja desconfortavelmente e, grande parte das vezes, em pé. Isso desgasta o ser humano. Outro benefício do transporte coletivo reside em fatores ambientais. Significa que um veículo que transporta dezenas de pessoas ao mesmo tempo contribui muito menos para a emissão de gases poluentes do que vários veículos particulares que, em muitos casos, transportam apenas uma pessoa. Além disso, povoar as ruas de ônibus e despovoá-las de carros reduzirá, também, a lentidão nas grandes cidades.

A ciclovias/ciclofaixas podem oferecer benefícios ainda maiores. É consenso na sociedade que praticar exercícios e abandonar o sedentarismo é importante para uma vida longa e saudável. Sabemos que o ciclismo é uma atividade muito benéfica à saúde e que sua prática (assim como todos os outros esportes) deve ser estimulada. Contudo, a cidade não tinha espaços para a prática do ciclismo. Muito dos que se aventuravam a ir para o trabalho de bicicleta, pelo menos até uns 5 anos atrás, rumavam a caminho da morte certa. A ciclovia/ciclofaixa deu a muitos a coragem e o incentivo de sair do sedentarismo e iniciar uma atividade física rotineira. Tenho certeza de que grande parte da população, se pudesse, deixaria o carro na garagem e pegaria a bike, visto que não gasta combustível e a manutenção é de baixo custo se comparada aos automóveis. Além disso, assim como o transporte coletivo, as ciclovias/ciclofaixas são benéficas para a locomoção urbana, já que uma bicicleta a mais na rua é igual um carro a menos.

Porém, a mídia tem um papel importante para a conscientização da população sobre os efeitos citados acima. Infelizmente, ela faz o papel inverso. As rádios, televisões e jornais fazem questão de registrar apenas reclamações de usuários de transporte motorizado individual e apontar as complicações no deslocamento urbano que toda mudança, de início, causaria. Cria-se uma sensação de fracasso em um projeto cujo resultados só poderão ser visto em longo prazo. Mas qual o interesse da mídia em manipular a opinião pública para ser contra o transporte coletivo e alternativo? Sabemos que os meios de comunicação são mantidos via patrocínio empresarial e, nesse contexto, esses meios têm de defender os interesses de seus patrocinadores. A verdade é que a melhoria do transporte coletivo e alternativo significam menos consumo de combustível (prejudicando a indústria petroquímica), queda na venda de automóveis (contrariando a indústria automobilísitica) e conservação maior das vias (enfrentando os interesses das empreiteiras que patrocinam campanhas políticas).

Temos de entender que esse projeto é de longo prazo, ou seja, seus efeitos só poderão ser vistos, talvez, na próxima geração. Tenho certeza que as crianças de hoje não serão usuárias de automóveis particulares no futuro. Dessa forma, criaremos, em breve, uma sociedade mais humana e saudável. Infelizmente, a manipulação midiática e os interesses do grande capital tendem a jogar fora tudo que foi conquistado até agora. As eleições municipais estão aí e eu prevejo um resultado tenebroso.

*Imagem disponível em <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/10/moradores-protestam-contra-ciclovia-em-interlagos-na-zona-sul-de-sp.html> acesso em 05. set. 2015.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Depredar para privatizar: o rico mercado do descaso

Pacientes em corredor de hospital público.
A falta de leitos é um dos principais problemas.*
A qualidade dos serviços públicos no Brasil sempre foi, no mínimo, questionável. Quem já precisou ir ao hospital, circular nas ruas de madrugada ou quem pretende alcançar uma boa formação se sente abandonado pelo Estado. O atendimento nos hospitais é absolutamente precário e humilhante. Muitos morrem por esperar demais ou por eventuais descasos no tratamento. Andar nas ruas, a pé, de ônibus ou de transporte particular é um perigo iminente, principalmente nas grandes cidades. Estamos sujeitos a ações como roubos, assaltos, agressões e homicídios. O Estado simplesmente se cala diante desse risco. As escolas públicas, em geral, se transformaram em passatempo e não formam como deveriam, não preparam os alunos para a vida e deixam de suprir grande parte de suas necessidades educacionais.

Isso ocorre em virtude da importância que o Estado dá a esses serviços aqui no Brasil. Na segunda metade desse século, por imposição das grandes potências, foi implantada nesse país a lógica do neoliberalismo. De modo grosseiro, essa “filosofia econômica” tem por crença a eficiência do “Estado Mínimo”. Isso quer dizer que o Estado deve ser liberado de algumas funções diminuindo suas obrigações e, consequentemente, cobrando menos impostos. Essa filosofia acredita que os serviços sociais oneram demais os governos que, por isso, deveriam se desfazer deles.

Os baixos investimentos e o descaso nos serviços básicos prestados pelo Estado têm um objetivo específico: se livrar deles. A precariedade desses serviços criou frases feitas como “o que é público não presta” ou “é preciso privatizar para solucionar”. Há aqueles que acreditam que a telefonia no Brasil só evoluiu (a ponto de termos celulares e telefones em grande parte dos lares) por causa de sua privatização. Será que a solução seria mesmo privatizar? Não! O Estado poderia perfeitamente assumir essas obrigações e prestar um bom serviço, mas ele simplesmente não presta. Os investimentos, que já são precários, acabam se perdendo em grande parte pela burocracia e pela corrupção.

Para a lógica do neoliberalismo, quem deveria assumir os serviços básicos então? Resposta muito fácil: a iniciativa privada. Os neoliberais defendem que as empresas particulares prestem os serviços, pelo qual deveriam ser pagas (seja pelo Estado, seja pelo usuário). Podemos ver isso na prática com os serviços de transporte “público”. Os ônibus não pertencem ao Estado e não são mantidos por ele. Os trabalhadores desse setor tampouco são funcionários estatais. Os ônibus pertencem a consórcios e cooperativas particulares. O Estado concede a essas empresas a tarefa de transportar as pessoas em troca de impostos, licenciamentos e uma parte do que é arrecadado. No final, um serviço que era para ser “público”, é na verdade um serviço privado, pois temos de pagar por ele, apesar de ser um dever do Estado. No mesmo contexto também foram concedidas administração de rodovias onde pagamos o pedágio para a empresa privada que a mantém.

Outro motivo que leva ao descaso para com os serviços públicos é a manutenção de um riquíssimo mercado. A precariedade dos hospitais nos leva a contratar planos de saúde. A má qualidade do ensino nas escolas públicas nos faz utilizar o sistema privado de ensino. A falta de segurança faz com que contratemos empresas de segurança patrimonial e vigilantes particulares, além de investir em equipamentos de monitoração e proteção como câmeras, rastreadores e muros e blindagens. As empresas acabam sendo beneficiadas por assegurarem a má qualidade dos serviços públicos com os patrocínios de campanhas eleitorais (já discutidos nesse blog)

O resultado disso é uma sociedade meritocrática (conceito também discutido nesse blog) onde se aprofundou o abismo social. A sociedade ficou dividida entre aqueles que podem pagar pelos bons serviços e aqueles que dependem do ineficiente serviço público. Isso contribui para a manutenção da pobreza e dos privilégios de uma classe dominante, perpetuando um ciclo de desigualdade que já dura mais de 500 anos.


*Imagem disponível em <http://ricbrsp.blogspot.com.br/2012/04/minha-profecia-politica-p-proximas.html> Acesso em 03. set. 2015.


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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Imigrantes africanos na Europa: uma questão de justiça histórica

Charge retratando a xenofobia no continente europeu.*

Nessa semana, assistimos assustados as notícias das mortes de pessoas que tentavam, em busca de esperanças, entrar em continente europeu. A apavorante cena de dezenas de mortos em um naufrágio, incluindo, principalmente, mulheres e crianças chocou o mundo. Esse não é o primeiro caso e nem será o último. Ainda neste ano tivemos outro grande naufrágio que matou inúmeras pessoas que tentavam cruzar o Mediterrâneo em busca do continente que tanto os explorou e os corrompeu.

No passado o continente africano foi (e ainda é) largamente explorado pelas grandes potências europeias. Esse continente foi saqueado, sua população foi sugada e suas riquezas extraídas até o último pedaço. Ainda no período das Grandes Navegações (Séculos XV e XVI) todo o litoral do continente foi ocupado pelos portugueses, onde instalavam feitorias dedicadas ao comércio de escravos, corrompendo os africanos a capturar irmãos no interior do continente em troca de quinquilharias que os europeus carregavam.

No século XIX, para abastecer as recém-nascidas indústrias, os europeus passaram a ocupar efetivamente o continente para explorar sua população e suas riquezas minerais. Para colonizar o continente as nações europeias repartiram o território como se fosse uma pizza. Cada país ficou com seus espólios da negociação e, nessa divisão, não foi levado em conta as etnias e suas terras no continente. Várias tribos foram separadas ou obrigadas a conviverem em um mesmo espaço imposto pelo colonizador europeu. Esse fato desencadeou diversos conflitos que ainda ocorrem na atualidade. A principal cicatriz que a África carrega é a pobreza extrema e as guerras civis que assolam a população e motivam o fluxo emigratório.


Fronteiras da África definida em sua partilha, no século XIX.**

A Ásia passou pelo mesmo processo. No século XVI ela foi explorada em prol do lucrativo comércio de especiarias com as Índias e no século XIX foi vítima de uma industrialização e modernização forçada, principalmente pelos ingleses.


Ásia ocupada pelas grandes potências no século XIX.***

Hoje essas populações, vítimas das consequências dessa exploração passada, tentam uma chance de vida digna nas terras de suas ex-metrópoles. Porém, os europeus não reconhecem sua dívida histórica para com os africanos e asiáticos. Eles foram bem vindos durante muito tempo. Após a Segunda Guerra Mundial, quando a Europa precisava de braços para sua reconstrução (já que grande parte de sua população masculina foi perdida em combate), os imigrantes eram aqueles que aceitavam fazer os “trabalhos subalternos” por um baixo custo.



A situação começou a mudar em virtude da crise econômica que aumentou o índice de desemprego nos países europeus. Os imigrantes, outrora bem vindos, agora são tidos como “ladrões de empregos”. Isso mesmo! Aqueles cargos que antes eram tidos como subalternos ou inferiores agora são requisitados pelos nativos da Europa. A crise também fez com que a fronteira da Europa se fechasse impedindo aqueles que fogem da pobreza e da miséria de entrar no continente. Como consequência, tivemos o aumento da clandestinidade, que torna as condições de viagem cada vez mais desumanas. Muitos, quando sobrevivem à viagem, acabam presos no litoral e deportados para viver na miséria, da qual não têm culpa alguma.

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*Imagem disponível em <https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/05/30/imigracao-de-mao-de-obra-qualificada/> Acesso em 31. ago. 2015.
**Imagem disponível em <http://www.culturamix.com/cultura/curiosidades/neocolonialismo-caracteristicas-gerais> Acesso em 31.ago. 2015.
***Imagem disponível em <http://professorchagasramos.blogspot.com.br/p/idade-contemporanea.html> Acesso em 31. ago. 2015.

sábado, 29 de agosto de 2015

A democracia não existe no Brasil

Disponível em <http://www.rosivaldotoscano.com/2013/11/
vivemos-em-democracia.html> Acesso em 28. ago. 2015.
Uma das coisas que mais admiramos da cultura grega antiga é a democracia. Hoje a consideramos a maior herança daquele povo e a admiramos e defendemos com unhas e dentes. A grandes nações "democráticas" intervém em outros regimes e impõe a outros países, de outros continentes, o "perfeito" regime democrático. A democracia, inclusive, serviu de justificativa para a instauração de regimes militares por toda a América Latina na segunda metade do século XX. 

Porém, a democracia não é tão maravilhosa assim como se pensa. Mesmo entre os gregos antigos, apesar de ser um grande inovação para o período, ela já se mostrava limitada. Apesar do termo significar "poder do povo" ou "governo do povo", não era de fato todo o povo quem participava. Só podiam acessar as instituições públicas apenas aqueles que eram considerados cidadãos em Atenas, sendo estes os homens maiores de 18 anos, filho de pai e mãe atenienses e na condição de serem livres. Dessa forma, estavam excluídos da participação política as mulheres, os estrangeiros e, obviamente, os escravos. Logo, o tal "governo do povo" era exercido por cerca de 10% da população.

Disponível em <http://historia7-penedono.blogspot.com.br/
2007/01/sociedade-de-atenas.html> Acesso em 28. ago. 2015

Hoje o regime democrático no Brasil não aponta descaradamente tal exclusão. Sabemos que hoje gozamos do sufrágio universal onde todos, absolutamente todos os brasileiros não só podem votar como são OBRIGADOS  a votar. Se a democracia é um regime que pressupõe liberdade, como é que podemos ser obrigados a fazer algo mesmo que contra a nossa vontade? Já encontramos a primeira contradição.

O nosso jogo democrático é absolutamente desigual e injusto. O financiamento dos partidos não são equivalentes. Enquanto alguns usufruem de imensa quantidade de verbas geradas por meio de "doações" de campanha, a maioria das legendas mal conseguem dispor de verbas básicas além do precário fundo partidário. A competitividade acaba prejudicada e a democracia de fato não é exercida nessas condições. 

Outros mecanismo utilizado na legislação eleitoral para poder burlar a democracia é a formação de coligações entre partidos. Nesse contexto, a coligação acaba acumulando o tempo de propaganda político partidário em rádio e televisão de cada partido fazendo com que, dessa forma, a coligação com maior número de partidos tenha maior tempo de exposição que é normalmente direcionado ao candidato principal, do partido cabeça da coligação. Que democracia é essa que dá aos concorrentes tempo diferente para exposição de suas ideias?

Os pequenos partidos além de prejudicados pelas coligações e tempo de televisão e rádio acabam, também, excluídos dos tradicionais debates. Isso se mostra igualmente prejudicial ao jogo democrático. O que determina se um partido pode participar ou não do debate na televisão é a sua pontuação nas pesquisas de intenção de voto e a sua representatividade na câmara. Ou seja, se o partido não tem nenhum deputado eleito ou não pontuou o suficiente para as emissoras em pesquisas, ele não participará dos debates. Quem tem o direito de decidir as propostas que eu não quero ouvir? A televisão?

Dessa forma acabamos por votar sempre nos mesmos, já que as pesquisas de intenção de voto inibem os que desejariam votar em alguém diferente alegando que esse candidato "não tem chance de ganhar". Quer que as eleições são decididas antes do dia da votação? Sim, na maioria das vezes é isso mesmo! Os mesmos sempre ganham por ser os únicos conhecidos do público, fato ocasionado pelos pontos colocados nos parágrafos acima. Portanto, a nossa falsa democracia transforma o pluripartidarismo, sistema legalmente vigente no país, em um bipartidarismo onde os dois ou três partidos que se alternam no poder defendem, quase sempre, os mesmos interesses fazendo com que nossos anseios terminam sempre frustrados. 

Esses pontos tão importantes para o sistema político brasileiro, nem sequer foram votados na pseudo reforma política, onde ocorreram apenas reformas sem nenhum grau de importância. Provavelmente a imposição de um tempo igual de televisão a todos os candidatos, a proibição da divulgação das pesquisas de intenção de voto e o fim do voto obrigatório (rejeitado na pseudo reforma desse ano) solucionariam o problema. Porém, uma reforma eleitoral, de fato, colocaria um fim na continuidade daqueles que governam o país há décadas e, infelizmente, não é isso que a classe governante quer.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Financiamento empresarial de campanhas: a raiz da corrupção

Disponível em <http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/07
/financiamento-privado-de-campanha-a-mae-de-toda-corrupcao.html>
Acesso em 27, ago, 2015
A Constituição Federal de 1988, em um de seus artigos, declara que o poder emana do povo. A autoridade exercida pelos nossos governantes e os poderes que possuem em mãos não são deles. Nós, o povo, é quem delegamos a eles parte do nosso poder para que possam administrar o país e governar para a gente, o povo.

Mas na prática, o que costumamos perceber é que o povo acaba sendo o último elemento a ser considerado quando se discute uma nova lei, planeja uma política econômica ou define a distribuição dos investimentos e verbas públicas. Em primeiro lugar vêm os padrinhos políticos, os colegas de partido, as alianças, o grande capital, o lucro e, por fim, em último lugar, o povo.

O que faz o povo ser preterido pelo dinheiro? A resposta é bem simples e direta: nossos políticos não governam para povo, eles governam para os que pagam mais. Como assim? Os políticos não são pagos pelos cofres públicos? Sim, mas para eles não parece ser o suficiente. Eles carecem de outras fontes para suprir suas “necessidades” e, com isso, se aliam aos grandes endinheirados do país.

Tudo começa pela campanha para as eleições. Já imaginou o custo para imprimir panfletos, colocar cavaletes, faixas, pintar muros, pagar as pessoas que trabalham em campanha, viagens, palcos e aparelhagem sonora pra fazer discursos, atores famosos para falar em seu favor. Ufa! Isso é extremamente caro e, o candidato não pode ou não quer assumir essa conta. Por isso, ele recorre aos grandes empresários, especuladores e latifundiários para entrar com verba de campanha. São as chamadas “doações”. Em teoria, o empresário investe por acreditar no ideal daquele candidato. Porém, na prática, ele faz um investimento que deverá trazer retorno no futuro. Isso é evidente quando observamos que várias empresas patrocinam diversos partidos diferentes. Quando você vota em um partido sabendo que ele recebe “doações” de grandes empresas, esteja certo de que dificilmente ele governará por você. O povo pode conseguir benefícios desde que estes não confrontem os interesses dos “doadores”.

As grandes empreiteiras que investem em campanhas levarão vantagens em contratos para obras públicas além de conseguir a manutenção dos salários baixos em virtude dos próprios lucros. Os grandes latifundiários conseguem sempre barrar a reforma agrária, garantir a exclusividade dos créditos agrícolas e obter as vista grossas do governo em suas atividades ilegais, como o uso de determinados agrotóxicos, o controle sobre as pessoas em sua “cidade” e o desmatamento. Os bancos conseguem manipular as taxas de juros e lucrar mesmo em períodos de crise. Em síntese, o legislativo e o executivo acabam sendo formados por representantes dos interesses privados e não dos interesses do povo.

Os financiadores de campanha são também os financiadores da corrupção. Eles são a fonte de propinas e do dinheiro que engrossa o enriquecimento ilícito da classe política. As propinas são dadas em troca de contrato fraudulentos, notas falsificadas, desvios de verbas, favorecimentos diversos. Contudo, quando falamos em corrupção, citamos apenas políticos (sobretudo de um determinado partido) e não os membros da fonte, os financiadores de campanhas.

Essa prática foi pauta da pseudo reforma política realizada este ano no Congresso. Após o projeto de lei que regulamenta a prática de doações empresarias de campanha ter sido rejeitada por quase 70 votos de diferença, o projeto foi aprovado na noite seguinte ao ser reapresentado pelo presidente da casa. O mais estranho nisso é o fato de quase 70 deputados mudarem o voto de uma noite para a outra, revertendo o resultado inicial.


Combater a corrupção é mais do que prender políticos de um único partido. A prática deve começar a ser enfrentada por nós mesmos. Temos pesquisar e obter o máximo de informações sobre aquele candidato que nos interessa. Se ele não for patrocinado por “doações” as chances de que ele governe pensando em seus interesses são maiores. O problema é que a nossa memória eleitoral é muito curta e nossa preguiça de pensar nos faz acreditar em opiniões prontas, proferidas por políticos em campanhas eleitorais.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

A estratégia enganosa para combater a crise hídrica

Disponível em <http://www.portalmogiguacu.com.br/
materia.php?id=2358> Acesso em 25. ago. 2015
Você é daqueles que se preocupa rigorosamente em fechar a torneira da pia do banheiro enquanto escova os dentes? E quando está lavando louça, você faz o mesmo? É de habito seu tomar banhos extremamente curtos ou colocar sob seus pés algum recipiente para coletar a água em que se lavou para futuro reuso? Você se preocupa em não dar muitas descargas em seu banheiro por ser preferível aguardar que se urinem várias vezes nele a fim de economizar água? E aquele tal de "xixi no banho", você também faz? Parabéns! Provavelmente você foi condicionado com sucesso a seguir mecanicamente aquilo que aprendemos nas escolas e que vemos exaustivamente em campanhas para economia da água. E se eu afirmar que tudo que você aprendeu e faz repetidamente não chega nem perto de solucionar o problema da crise hídrica?

Em momentos de escassez (não é a primeira vez que isso no Estado de São Paulo) as campanhas publicitárias para economia de água recaem sempre nas costas da população mais humilde ou, como diz o ditado, "a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco". Parece que somos os únicos culpados pela falta da água, nossas mangueiras lavando as calçadas são o maior crime ambiental que um ser humano pode cometer. Em consequência desse tipo de vigilância passamos a ser fiscais e guardiões da água e ficamos de prontidão, dispostos a repreender e denunciar qualquer vizinho que se desvie do que foi determinado para salvar o nosso recurso tão precioso.


Disponível em <http://educador.brasilescola.com/estrategias-
ensino/a-distribuicao-agua-no-planeta.htm> Acesso em: 25. ago. 2015.
Quando começamos a analisar os dados estatísticos, começamos a perceber o tamanho de nosso equívoco ao agir da forma que as campanhas pela economia da água nos impõe. Primeiro vamos a alguns dados básicos sobre a distribuição da água no planeta. Todo mundo que prestou o mínimo de atenção nas aulas de Geografia sabe que, de toda água que temos no planeta, 97% é salgada, localizada nos mares e oceanos. Os outros 3% são de água doce, localizada nos continentes sobre diversos tipos de reservatórios. Mesmo a água doce sendo representante de ínfima fração de toda água no planeta, ela é abundante. Se pensarmos em quantidade, não precisamos nos preocupar, já que, segundo as estatísticas, temos disponível, em média, 6500 m³/pessoa/ano. Isso é bem mais do que a Organização Mundial da Saúde recomenda, que é em torno de 1500 m³/pessoa/ano. É por isso que não se deve acreditar nessas teorias catastróficas e alarmantes sobre um futuro apocalíptico provocado pelo fim da água potável em nosso planeta. O problema da escassez de água potável em várias partes do mundo, hoje, não residem na sua insuficiência e sim na sua má distribuição pelo globo.


Disponível em <http://www.mundoeducacao.com/geografia
/praticas-que-mais-consomem-agua.htm> Acesso em 25. ago. 2015
Contudo, o dado que nos interessa é mais surpreendente ainda. Quando comparamos o consumo da água por setores da economia, concluímos que não somos nós os maiores consumidores. A agropecuária é maior usuária da água potável no mundo. Ela absorve em torno de 70% da água disponível para o consumo humano. Dos 30% restantes, a atividade industrial utiliza a maior parte, 20%, sobrando apenas 10% para as residências. Logo, se pudéssemos fechar definitivamente todas as torneiras das residências, economizaríamos, no máximo, 10% da água potável disponível. Vemos então que as campanhas pressionam o setor errado para economizar. Justamente a nós, a parte mais fraca da sociedade, cabe a árdua tarefa de "salvar a água do planeta" enquanto os setores que mais consomem não recebem a mesma pressão.

Por que então não pressionar os grandes consumidores? Alguns já têm a resposta na ponta da língua: "se não gastar a água, como vão produzir os bem de consumo e os alimentos de que necessitamos?". Essa frase é um argumento muito frágil visto que existe formas inteligentes de economizar água sem afetar a produção. Várias fábricas provaram que, com ideias simples, conseguiram diminuir drasticamente seus gastos hídricos com técnicas de reuso. Na agricultura existem diversas técnicas que substituem os tradicionais irrigadores. O que falta é boa vontade dos grandes agropecuários e empresários para investir em novos sistemas que garantam uma maior economia e, ao mesmo tempo, a manutenção da produção. Outro motivo pelo qual os grandes não pressionados pelo governo é fato de eles serem os financiadores do próprio governo. Sabe-se que os grandes fazendeiros e os grandes empresários patrocinam campanhas políticas e, por isso, permanecem intocados na sociedade.

Engana-se quem acha que banhos mais curtos vai "salvar o planeta", já que, enquanto você economiza, outros gastam em quantidades muitas vezes maior que você pode poupar. Além disso, nosso país exporta cerca de 112 trilhões de litros de água por ano, que saem do Brasil para o mundo contida nos diversos gêneros agrícolas que exportamos.

Sabendo de tudo isso, devemos parar de economizar? Obviamente que não. A Declaração Universal dos Direitos da Água estipula que é responsabilidade de todos a sua preservação. Mesmo sendo um parcela ínfima, é uma parcela importante. Além disso, os desperdício é sentido no bolso, através do aumento da conta a ser paga todos os meses. O que devemos compreender é que não adianta assumirmos o posto de guardiões da água. Agindo com consciência, podemos nos organizar para cobrar quem elegemos e exigir medidas efetivas para a resolução do problema.

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